sábado, 23 de outubro de 2010

A Menina

Resolvi postar de novo os relatos de Ann Bagnariol, personagem na qual estou voltando a trabalhar. :3

O Anúncio : Por Ann Bagnariol

"E incrível como tem gente que muda a gente com o simples fato de estar perto, não é mesmo?
Mas tem também, aqueles que com a simples presença nos perturbam de tal forma que só nos falta querer arrancar os cabelos! Bem, eu era uma dessas pessoas.
Minha história começa muito antes de sua chegada, meu caro. Não tinha para onde ir, então acabei por me contentar em morar num albergue durante alguns meses, fazia meu trabalho durante a noite e as vezes, de manhã. O tempo em que ficava em casa era apenas para estudo, de vez em vez uma soneca mais demorada. A rotina não mudava, todos os dias às 16h me lavava, vestia-me com o uniforme, que graças a Deus, era pelo menos apresentável.
Uma saia negra na altura dos joelhos, uma blusa da mesma cor e um corselete branco, tudo no maior estilo vitoriano, com direito a meia rendada, luvas de pelica e sapato boneca! Claro que por baixo, vestia-me com a roupa do meu "segundo emprego".
Me encaminho para a taverna em que trabalho e lá sirvo as mesas, e convenço aquele bando de velhos mal amados a beber até não se agüentarem em pé. Quando chega a este ponto, fazemos eles pagarem a conta, nem que seja a força, e os jogamos na rua mais próxima. Claro que eu nem encosto nesses porcos, isto é trabalho para seguranças! Depois de horas trabalhando, quando já são horas de eu ir para casa, viro na primeira esquina deserta que encontro, retiro a saia, revelando um curto short que permitia a maior movimentação possível das pernas, tirado o corselete, tinha total controle da parte de cima do corpo, mais alguns poucos minutos e o cabelo estava preso em duas mechas, os cachos descaiam em torno dos ombros.
Ajeitava minhas facas e dois frascos, presos nas ligas de perna e no cinto que circundava o short e guardava a outra roupa num embornal de algodão que deixava escondido.
Saia dali, furtiva, ninguém notava aquela figura da noite, pronta para por em prática meu trabalho e fazer minha nova vítima. Era nessas horas, que a minha presença se tornava o maior incômodo possível. O anúncio de sua morte."

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